quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Flores no cemitério

Nas letras que vejo cravadas na alva pedra fria já não há nada de ti.
Na rosa cor de rosa que te deixo não há nada de mim.
Por isso não sei se voltarei...
Já nada te identifica naquele lugar a não ser a expressão entre aspas, "Deus é amor!" Se alguma coisa foste em mim, foi sempre amor. Por saber que nada há de meu numa rosa, toquei-a o mais que pude:
Acariciei as pétalas na saudade da tua face, pouco enrugada, de olhar meigo e sorriso no rosto tal era o amor com que me olhavas;
Acariciei as folhas, quais braços, na ânsia do teu abraço.
Segurei com firmeza o caule, com a permanência com que sempre estiveste na minha vida.
Com suavidade, repetidamente, passei os dedos na pétalas, como os teus dedos passeavam na minha cara para me fazeres adormecer.
Dói-me não me veres crescer, não estares a meu lado.
É só um ano mais sem ti, um ano mais perto de te reencontrar.

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