domingo, 8 de dezembro de 2013

Se fosses viva...

Será que hoje ainda me entenderias como naqueles dias?
Será que ainda me apoiarias acima de toda a gente?
Será que ainda me protegerias?
Será que ainda me guardavas debaixo da tua asa?
Será que ainda era intocável?
Será que não teria sofrido?
Será que não teria vivido?

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Flores no cemitério

Nas letras que vejo cravadas na alva pedra fria já não há nada de ti.
Na rosa cor de rosa que te deixo não há nada de mim.
Por isso não sei se voltarei...
Já nada te identifica naquele lugar a não ser a expressão entre aspas, "Deus é amor!" Se alguma coisa foste em mim, foi sempre amor. Por saber que nada há de meu numa rosa, toquei-a o mais que pude:
Acariciei as pétalas na saudade da tua face, pouco enrugada, de olhar meigo e sorriso no rosto tal era o amor com que me olhavas;
Acariciei as folhas, quais braços, na ânsia do teu abraço.
Segurei com firmeza o caule, com a permanência com que sempre estiveste na minha vida.
Com suavidade, repetidamente, passei os dedos na pétalas, como os teus dedos passeavam na minha cara para me fazeres adormecer.
Dói-me não me veres crescer, não estares a meu lado.
É só um ano mais sem ti, um ano mais perto de te reencontrar.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O vaporizar dos sentimentos

Olhares descruzados na espera de um adeus triste
É por isso que não existe, que não há como retomar o que se deixou.
Porque o caminho de flores acabou lá atrás.
Esta estrada tem alcatrão e pedras. E tu estás nela, caminhas a meu lado.
Dando-me a mão como se o tivesses feito todos os dias durante anos.
Carinho há!
Mas mais do que isso não.
É passado! E apesar de ontem ter sido presente continua a ser passado em mim.
Não é o meu futuro, consigo prever isso.
Porque não é o que quero.
Talvez tenha aprendido a amar-me um pouco!

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

João Garcia de Guilhade


Esso mui pouco que hoj'eu falei
com mia senhor, gradeci-o a Deus,
e gram prazer virom os olhos meus!
 Mais do que dixe gram pavor per hei;
      ca me tremi' assi o coraçom
                   que nom sei se lho dixe [ou] se nom.  

Tam gram sabor houv'eu de lhe dizer
a mui gram coita que sofr'e sofri
por ela! Mais tam mal dia naci,
se lho hoj'eu bem nom fiz entender!
       ca me tremi' assi o coraçom
                  que nom sei se lho dixe ou se nom.
  
Ca nunca eu falei com mia senhor
senom mui pouc'hoj'; e direi-vos al:
nom sei se me lho dixe bem, se mal.
Mais do que dixe estou a gram pavor:
       ca me tremi' assi o coraçom
                  que nom sei se lho dixe ou se nom.
  
E a quem muito trem'o coraçom,
nunca bem pod'acabar sa razom.

sábado, 5 de outubro de 2013

Concílio de sombras

“Sombras que se esgueiram,
sombras que se encaixam,
sombras que fogem,
sombras que se encontram e fazem uma só.
Onde houver luz, haverá sombra... já o inverso...”

“sim, há sempre uma sombra.
nem que seja a sombra da lembrança nas recordações
da saudade na lembrança. há muitas sombras.”

As sombras falam pela boca da luz…

Há muitas sombras, sim
Sombras caídas no chão como os restos mortais do sol
Sombras que se esgueiram por entre os dedos
Sombras que fogem e voltam

Há sempre uma sombra que nos acompanha na ausência
Migalhas de luz que o teu pão mastigou


Assombroso sentimento que se sente à sombra de destinos venturosos, pois se não lhes chega, mas sente-se o seu conforto. A sombra tal como a poesia é companheira. À sombra da sombra, refresca-se, cresce-se, dá-se tempo para pensar na vida, que é constiuída por dias solarengos e suas sombras, por sombras inebriantes e sombrias em noites mais frias, mas no fim sou simplesmente um pequeno sombreado no mundo quando o sol brilha ao meio dia."

E agora, leitor, sim, tu que estás aí sentado à direita da incerteza
Por mais quanto tempo vais permane-SER sombra de dúvidas?



Concílio das Palavras - https://www.facebook.com/poesiacompanheira

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Desvincular

Fogem-me as palavras.
Saem sem tom nem som.
Oiço-me, não me reconheço.
De onde veio a coragem?
De onde veio a força de gritar
O que só cabia no meu peito?
Fica-me atravessada na garganta
A consequência daí resultante.
Mas ainda bem que não continuei a calar,
Ainda bem que deixei sair esta angústia
Que me prendia os pés.
Eu não era mais chão firme para pisar.
Não era mais borboleta livre, a voar.
Era um misto de ressentimento e prisão.
Medo de falar, de soltar a voz.
Mas não me sentia bem naquele lugar.
Agora? Vou voar por aí ao meu ritmo.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Sacudidelas nefastas

Um zombie deu-me um encontrão.
Ele caiu num alçapão
E espalhou-se a podridão.

Daí gerou-se uma onda de azar
Tudo corria mal. Fui nadar
Faltou-me o ar.
Até com um lápis me tentaram espetar.

Estava tudo uma confusão,
Como se estivesse tudo de pernas para o ar.
Afinal, eu e o colchão
Ao chão tínhamos ido parar.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Novo Ano Lectivo

Um novo ano escolar se aproxima.
Ai tanta coisa diferente na minha vida. 
E tanto porvir que fará tão bem.
Estou assim entusiasmada, optimista, feliz!

sábado, 31 de agosto de 2013

Desencontros

"Desencontrei-me de ti
nas esquinas de uma brisa
veranil."

Desencontrei-me de mim,
a cada passo do caminho em
que dei primazia à ociosidade
e à estagnação. Ao habitual,
ao 'confortável'.
Talvez me tenha perdido de mim
Por muito tempo. Mas ainda
estou a tempo de me achar.

14/03/2013

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Verão, beija-me o tempo

Numa tarde veranil a carência foi mais forte.
O corpo cede à carne, lentamente, renunciando  cada toque, cada beijo, cada contacto da tua pele suave na minha.
Mas aos poucos, cedendo.
Cedendo aos inúmeros beijos;
Cedendo aos cafunés;
Cedendo ao calor e à respiração intensa, ofegante.
Insistência.
Um abraço e a tua insistência novamente.
Cada vez mais juntos e beijinhos vão surgindo por todo o lado, todo menos na boca, esse lugar tão desejado, mas por mim tão panicado.
Pensei e convenci-me, hoje não há beijos desses.
Mas fui tocando
fui beijando,
A mente, ao início longínqua, deixou de tomar controle e o corpo cedeu ao desejo
e beijou
como nunca,
como sempre.
Diferente de cada vez que acontece.

18/07/2013